Ainda que eu não tenha nada
Sei onde moram teus cheiros.
Odores nem sempre nocivos,
Levam-me incauto à teu seio.
Sei onde moram teus cheiros.
Odores nem sempre nocivos,
Levam-me incauto à teu seio.
Mesmo que eu não seja nada,
Serei sempre à ti pioneiro.
Mãos desnudas, já dilaceradas,
Rosto sofrido ainda inteiro.
Ainda que não possa ver-te
Sei o que és e onde estás.
Agarro-me forte ao desejo,
De um dia poder regressar.
Mesmo que um dia não tenhas nada,
Pertencer-te-ão sempre meus cheiros.
Odores amargos, veneno incisivo.
Trazem-te inteira ao meu travesseiro.
Ainda que um dia não sejas nada,
Sempre serás a minha primeira.
Tuas terras de sonhos, montes e abismos
Criança descalça subindo a ladeira.
Mesmo que não possas ver-me
Sabes como vivo e onde estou.
Teus alhures, meus desejos,
Pois vivo o Brasileiro que sou.
Teus meus cheiros - Rubens Gorben
Pataias - Portugal - 2007
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