Quem antecipa-se ao Sol,
Contempla o inesperado.
Vê vida em tudo o que existe,
Mesmo quando inanimado.
Se sentes e respeitas teu meio,
Por ele serás respeitado.
Em vão não irás mais à morte,
Pois nele serás transformado.
Saiba quão sagrado é o todo,
Partícula no chão do caminho.
Cascalho onde habita o verme,
Turva água de nosso destino.
Não creias na preservação,
Mantenhas os olhos no extinto.
O Futuro de tudo o que vive,
Em negro pode estar escrito.
Não queiras evitar o meio,
A ti este vem se somar.
Então vivas com o suficiente,
Linha solta em rio ou no mar.
Não queiras mais que o necessário,
Não ensejes agora o amanhã.
Se compreenderes o hereditário,
Contemplarás mesmo febre terçã.
Queiras no derradeiro instante,
Sentir a água a te puxar,
Diluir-te-as então docemente,
Pois no todo irás te tornar.
Conselho Mosqueiro - Rubens Gorben
26/06/09 - 21:20 - Pataias, Portugal
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