Alóctones.
Nosso mundo tem se misturado.
Ou teremos nós misturado nosso mundo em nome da evolução?
Nosso "planetinha azul" sempre se misturou sozinho, um exemplo é a própria expansão do homem pelo globo e a introdução pacifica ou não de suas culturas. Penso que se não fomos os primeiros invasores, estamos bem perto disso. Leio diariamente artigos sobre os problemas das espécimes invasoras e sobre os distúrbios que elas causam ao meio onde são introduzidas por terceiros ou obedecendo ao título de invasor declarado e acabo por não saber o que pensar.
Em primeiro lugar, não encontro nenhum artigo que seja claro e específico sobre este tipo de problema, é claro que vemos problemas como o tal do mexilhão dourado, transportado nos tanques de lastro dos navios, das algas que infestam e destróem rios, levadas por botas de pescadores, pássaros, etc. Mosquitos como o da dengue, malária, entre outros, mas aqui nestes exemplos falamos apenas de invasões acidentais e não das premeditadas, quero dizer, pretendo acreditar que muitas destas invasões não são premeditadas, mas não confio em nenhum laboratório e penso que todos os "donos" das curas são suspeitos de deflagrarem pragas pelo mundo desde nossos primórdios. Enfim: Quem conhece a cura é que tem o real poder, mas esta discussão não cabe aqui.
Bem, outras introduções são premeditadas, como a introdução de animais e plantas com finalidades turísticas e econômicas.
Mas o que me deixa mesmo atordoado é o fato de muitos de nós não conseguirmos refletir objetivamente sobre o assunto, pois é um tema de extrema complexidade.
Por exemplo:
Imaginemos um Brasileiro que resolva ir morar na Bélgica por vontade própria e num belo dia, acorda, pega nas suas coisas e vai. Logo, este indivíduo é um espécime invasor alienígena. E se no seu próprio País este elemento migrasse de estado em estado acompanhado suas necessidades financeiras, logo, em seu país ele seria um espécime invasor exótico. Mas porque invasor? Simples. Porque esta pessoa, assim como qualquer "imigrante" do reino animal, seria obrigado a disputar no mercado ou meio local com as espécimes autóctones para prover a sua sobrevivência e futuramente a sobrevivência de sua colônia, caso o mesmo encontrasse outros indivíduos da mesma espécie ou seja geneticamente compatível com os autóctones. Sendo esta uma invasão por vontade própria. Classifico-a como uma invasão real.
Um exemplo oposto:
Durante centenas e centenas de anos pessoas foram retiradas de suas terras natais e transportados por centenas ou milhares de quilômetros como escravos, guerreiros, etc. Está é uma invasão fruto de uma introdução involuntária. O indivíduo não migrou por vontade própria e sim por acidente.
Fazemos isso a centenas de milhares de anos, e evoluímos graças a isso, somos o que somos hoje graças a estas misturas e a sobrevivência do gene mais forte.
O que me intriga é que as pessoas não param para pensar que já estamos misturando nosso mundo há muito tempo e não pensamos também que esta forma de nos misturar e misturar tudo o que existe já acontece desde nossos primórdios. Logo, a observar sob este prisma, da mesma forma que acho natural a extinção, acho natural a invasão, mas desde que esta invasão aconteça naturalmente.
E como seria invadir naturalmente um ambiente?
Simples novamente!
Invadir naturalmente é o fato de migrar por sua própria vontade, pois tudo o que é vivo, todo organismo existente tem direito a lutar por sua sobrevivência e é livre para se deslocar para onde bem entender.
Por outro lado, todo organismo tem o direito de defender seu espaço, seja por qual meio for, mesmo os meios mais violentos se forem precisos.
Então, se acho natural as invasões, por que sou contra as mesmas?
Vejam bem, não sou contra as invasões naturais, sou completamente contra as invasões provocadas pela mão humana. Invasões fabricadas com intuito comercial, turística ou apenas em nome da vaidade.
Mais um exemplo: Micropterus salmóides.
Quem nos garante que a primeira introdução no continente Europeu não foi no intuito de se vender iscas de pesca no futuro. Isso pode soar como uma estupidez de minha parte, mas da mesma forma que uma empresa pode transportar um mosquito de uma região à outra acidentalmente ou com um nefasto intuito comercial futuro, da mesma forma que uma nação podia transportar escravos de um lado para outro com interesses comerciais imediatos e futuros, um peixe, um esquilo, um cavalo, uma semente, uma flor, podem ser introduzidos com intuitos diversos, desde o mais inocente até o mais bizarro.
Por este fato, e pela falta destas respostas e reflexões claras a este respeito é que me posiciono como opositor ao falso ato de amor pela natureza cometido por centenas de milhares de pessoas em todo o mundo.
Pessoas que amam tanto o caminho natural das coisas que não hesitam ao menor impulso de poder mudá-las, mesmo sabendo que poderão estar a ajudar a destruir o que já é perfeito.
É uma linha de raciocínio difícil de acompanhar. Eu mesmo me baralho com a miríade de pontos positivos e negativos que as espécimes alienígenas e exóticas podem trazer.
Mas a medida que formos evoluindo de forma numérica como espécimes dominantes, iremos fazer mais e mais introduções e iremos continuar a mudar o mundo para moldá-lo a nossa maneira.
Querem outro exemplo comum?
Observem quando terminam a construção de uma barragem em qual é a primeira coisa que fazem. Simplesmente introduzem desenfreadamente espécimes exóticas no curso d’água.
– Quem iria cometer tal crime? – perguntas-me.
Quem vai cometer o crime ninguém vai saber, mas eles serão cometidos.
Achigãs, carpas, lúcios, percas sol, trutas arco-íres, siluros, guppies, etc, aparecerão do nada, como que contrariando o Darwinismo e dando asas a Aristóteles e a Abiogênese, sem mencionar o batalhão de pescadores, vindos Deus sabe de onde, que se materializarão no local em busca da promessa de fisgar o troféu de sua vida com sua reluzente amostra "mágica".
E sabem quem é que vai lucrar diretamente com este crime?
1 – As lojas de pesca, e a industria da pesca.
2 – O construtor da barragem. – Este vai passar por benfeitor e sua barragem vai ser vista como algo que gera vida, quando este conceito é exatamente o oposto da realidade.
3 – hoteis, pensões, restaurantes. – Quanto mais peixes, mais pescadores fanáticos para atender.
Então! Ainda não é suspeito o suficiente para você?
Se estás pasmo com estas minhas colocações, prepare-se para o desfecho final, o golpe de misericórdia.
O último a lucrar algo com isso é o pescador local, que vai se transformar em um pescador de aquário. Certo que um aquário gigante, mas o conceito é o mesmo... Um lugar cheio de água com peixes escolhidos a dedo lá dentro.
A vítima direta será a natureza e nada menos do que as gerações vindouras.