domingo, 17 de abril de 2011

Alma de pescador




Turvas aguas a lavar o mundo e eu aqui,
lançando a fina linha pro destino, que não tem fim
Tantos pensamentos no escuro e eu aqui,
Esperando o fim que não tarda, a chegar.

Doces lembranças vividas e eu aqui, a esquecer.
Que a vida aquece e esquece o que acontece, em meu ser.
Se ela me olhou de repente e sentiu-me ir embora
É que tudo o que tomo da vida e me aceita me apavora

Não vou mais fugir para me afogar em meus tormentos
Não vou me iludir na vida falsa de cimento
Não quero fingir que entendo aquilo que não tenho
Pois sei bem o que sou, alma de pesca-dor.

Doces lembranças mundanas e eu aqui, a entender
Que a vida aquece e esquece o que acontece, ao meu ver
Se ela me olhou e de repente foi embora
É que tudo o que a vida me oferece me ignora

Quero sair daqui para enterrar os meus lamentos
Não vou me iludir o asfalto queima-me por dentro
Não quero mais fingir que amo o monte onde me sento
Pois sei bem o que sou, alma de pesca-dor.

domingo, 28 de novembro de 2010

II - Pluma Punk




Pois é, mais uma edição do Pluma Punk acontece este ano.

Nesta edição de inverno, iremos tentar pescar o
a famigerada Espécie ALIENÍGENA "Pike", conhecido aqui em Portugal como Lúcio.

O encontro acontecerá em Aveiro, mais precisamente em Ois-da-Ribeira, Concelho de Agueda. O local fica na "margem " Norte da Pateira de Fermentemos.

Coordenadas GPS - 40º34'34.68"N 8º30'42.45"W

O convívio segue a filosofia AAA (Anti-Arrogant Anglers)e preza pelo respeito mutuo e pela liberdade de expressão da pesca com mosca, sem preconceitos e sem falsos conceitos de certo e errado.

Sendo o primeiro evento de Pesca a seguir um conceito Anarquico, o Pluma Punk tenta desvirtualizar a imagem dos pescadores elitistas que tem reinado no universo da Pesca a Pluma e tráz consigo uma única LEI: RESPEITO AO PRÓXIMO.

Atualmente com um numero de participantes tímido, embora crescente, o evento conta com a presença do ilustre Instrutor federado "EFFA" e Diretor da "Escuela de Pesca Baixo Miño" - Manuel Iglesia, mais conhecido como "Manolo" pelos amigos e alunos.

Como uma atividade Anarquica, o programa não é obrigatório, mas mesmo assim existe, pois anarquia não quer dizer BAGUNÇA nem BANDALHA, quer dizer simplesmente LIBERDADE e toda atividade livre pode coexistir com o mínimo de organização e respeito. Logo o proposto programa é o seguinte:

8:00 as 9:00 - chegada dos participantes.
9:30 as 13:00 - apresentações de arremessos, Escambo de materiais usados e muita conversa sobre o universo da pescas à pluma.
13:00 - Almoço em um restaurante local (CADA PESSOA É RESPONSÁVEL PELO PAGAMENTO DE SEU CONSUMO)
14:00 em diante: convívio, atado de moscas e histórias (ou ESTÓRIAS) de pescadores.

A entrada é FRANCA e cada participante é responsável por sí.
Vale lembrar que não é obrigatório o consumo no restaurante, e cada participante pode optar por levar seu FARNEL, se quiser, ou almoçar no local que mais lhe agradar.

mais informações aqui:

http://www.segredosdapluma.com/index.php?option=com_kunena&Itemid=141&func=view&catid=1&id=14767&limit=6&limitstart=78">

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Amar a pesca ou o peixe?


Já pararam para pensar sobre a necessidade das pessoas que gostam da pesca tem de se envolver diretamente com a pesca?

Isso que eu disse pode parecer um pouco óbvio, mas pense abertamente por um momento.

Vamos observar um cidadão comum, uma pessoa por exemplo, que goste de futebol, que seja fanático por futebol. Esta pessoa não precisar jogar bola para ser amante do esporte, aliás, é comum encontrar muitos "doentes" por bola que nunca jogaram uma única partida e outros tantos que nunca sequer entraram num estádio. No entanto, durante as partidas, falam tão fervorosamente sobre o jogo que dá a impressão de que são profissionais do meio.

E os amantes do automobilismo?

Quantos você conhece que correm ao menos uma vez por mês em pistas de prova? Ou que ao menos já sentaram-se dentro de um cock-pit de um carro vulgar de rally?

Vamos lá. Pensem!
Não vamos parar por aqui.

Amantes do sexo... Não duvido que não existam milhões de amantes NÃO praticantes! Entretanto apaixonados por uma musa invisível, platônica ou simplesmente intocável e se calhar, por mera falta de iniciativa ou presença de espírito!

Agora, apresentem-me um único amante da pesca que não pesque, vá lá... um só.

E se houver um único, este jurará que pesca, ou que já pescou um dia, nem que fosse no prato.
Se calhar estas pessoas existem, mas eu pessoalmente não conheço nenhuma.

O que quero indagar é:

Será que este fenômeno se dá pelo fato de não haverem coberturas televisivas ou de outra mídia qualquer de comunicação em massa que fosse mais ativa sobre a opinião pública? Com excepção, claro, das centenas de milhares de títulos de revistas, livros e vídeos sobre o assunto, porém estes últimos devemos desconsiderar pois parecem estar mais interessados em nos ensinar a capturar um peixe do que ensinar a apreciar, entender seu meio e respeitar seu oponente.
Será que a pesca, por não ser "moda", só pode ser amada por quem a experimenta?

Será que se a pesca fosse "fashion" teríamos rios mais destruídos ante a pressão de pesca, ou a opinião pública obrigaria aos órgãos competentes a cuidarem melhor de nossos rios?

Será que se a pesca não fosse tão "démodé", as espécimes piscícolas entrariam em maior declínio ou será que haveria maior sensibilização da população quanto a importância da bióta aquática?

Água, todo mundo sabe o que é.
Peixe, todo mundo sabe o que é.

Mas será que não existe maior movimento público pela defesa destes seres e ecossistemas devido à falta de conhecimento pormenorizada sobre os mesmos? Ou será que os ignoramos porque não os conhecemos, ou será ainda porque os principais envolvidos no assuntos estão ocupados demais a passar belos momentos a beira da água a pescar a fingir que não vêem seus mundos serem tomados pelo pesado fardo da ignorância?

Seja sincero.

Será que não é hora de aparecerem amantes da pesca que não pesquem, pessoas que amem mais a bola do que o jogo ou que amem mais o percurso do que a corrida?

Não, não.
Amo pescar, amo ter a ilusão de um oponente motivando-me a desbravar, a investir como General de um exército de moscas em um campo de batalhas líquido e desconhecido, mas por outro lado, sinto-me cada vez menos nobre a medida que vou conhecendo meus alvos e os mesmos vão ganhando uma imagem cada vez mais indefesa em meu subconsciente.

Se somos o animal, superior, se recebemos a dádiva da "consciência" sobre o bem e o mal, porque achamos tanta graça nos esportes que sugerem conflitos entre etnias ou espécimes distintas? Porque achamos tanta piada em "espetar" um inocente à ferros, rebocá-lo, dominá-lo, feri-lo muitas vezes até quase a morte e depois soltá-lo. Porque temos de provar superioridade física, se a maioria de nós acredita em superioridade intelectual?

Paro por aqui pois as perguntas não querem deixar de aparecer e eu desejo continuar a amar a pesca.

Um grande abraço a todos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Invasores: Exóticos, Alienígenas e Simpatizantes.


Alóctones.

Nosso mundo tem se misturado.

Ou teremos nós misturado nosso mundo em nome da evolução?

Nosso "planetinha azul" sempre se misturou sozinho, um exemplo é a própria expansão do homem pelo globo e a introdução pacifica ou não de suas culturas. Penso que se não fomos os primeiros invasores, estamos bem perto disso. Leio diariamente artigos sobre os problemas das espécimes invasoras e sobre os distúrbios que elas causam ao meio onde são introduzidas por terceiros ou obedecendo ao título de invasor declarado e acabo por não saber o que pensar.
Em primeiro lugar, não encontro nenhum artigo que seja claro e específico sobre este tipo de problema, é claro que vemos problemas como o tal do mexilhão dourado, transportado nos tanques de lastro dos navios, das algas que infestam e destróem rios, levadas por botas de pescadores, pássaros, etc. Mosquitos como o da dengue, malária, entre outros, mas aqui nestes exemplos falamos apenas de invasões acidentais e não das premeditadas, quero dizer, pretendo acreditar que muitas destas invasões não são premeditadas, mas não confio em nenhum laboratório e penso que todos os "donos" das curas são suspeitos de deflagrarem pragas pelo mundo desde nossos primórdios. Enfim: Quem conhece a cura é que tem o real poder, mas esta discussão não cabe aqui.

Bem, outras introduções são premeditadas, como a introdução de animais e plantas com finalidades turísticas e econômicas.

Mas o que me deixa mesmo atordoado é o fato de muitos de nós não conseguirmos refletir objetivamente sobre o assunto, pois é um tema de extrema complexidade.

Por exemplo:

Imaginemos um Brasileiro que resolva ir morar na Bélgica por vontade própria e num belo dia, acorda, pega nas suas coisas e vai. Logo, este indivíduo é um espécime invasor alienígena. E se no seu próprio País este elemento migrasse de estado em estado acompanhado suas necessidades financeiras, logo, em seu país ele seria um espécime invasor exótico. Mas porque invasor? Simples. Porque esta pessoa, assim como qualquer "imigrante" do reino animal, seria obrigado a disputar no mercado ou meio local com as espécimes autóctones para prover a sua sobrevivência e futuramente a sobrevivência de sua colônia, caso o mesmo encontrasse outros indivíduos da mesma espécie ou seja geneticamente compatível com os autóctones. Sendo esta uma invasão por vontade própria. Classifico-a como uma invasão real.

Um exemplo oposto:

Durante centenas e centenas de anos pessoas foram retiradas de suas terras natais e transportados por centenas ou milhares de quilômetros como escravos, guerreiros, etc. Está é uma invasão fruto de uma introdução involuntária. O indivíduo não migrou por vontade própria e sim por acidente.

Fazemos isso a centenas de milhares de anos, e evoluímos graças a isso, somos o que somos hoje graças a estas misturas e a sobrevivência do gene mais forte.

O que me intriga é que as pessoas não param para pensar que já estamos misturando nosso mundo há muito tempo e não pensamos também que esta forma de nos misturar e misturar tudo o que existe já acontece desde nossos primórdios. Logo, a observar sob este prisma, da mesma forma que acho natural a extinção, acho natural a invasão, mas desde que esta invasão aconteça naturalmente.
E como seria invadir naturalmente um ambiente?

Simples novamente!

Invadir naturalmente é o fato de migrar por sua própria vontade, pois tudo o que é vivo, todo organismo existente tem direito a lutar por sua sobrevivência e é livre para se deslocar para onde bem entender.

Por outro lado, todo organismo tem o direito de defender seu espaço, seja por qual meio for, mesmo os meios mais violentos se forem precisos.

Então, se acho natural as invasões, por que sou contra as mesmas?

Vejam bem, não sou contra as invasões naturais, sou completamente contra as invasões provocadas pela mão humana. Invasões fabricadas com intuito comercial, turística ou apenas em nome da vaidade.

Mais um exemplo: Micropterus salmóides.

Quem nos garante que a primeira introdução no continente Europeu não foi no intuito de se vender iscas de pesca no futuro. Isso pode soar como uma estupidez de minha parte, mas da mesma forma que uma empresa pode transportar um mosquito de uma região à outra acidentalmente ou com um nefasto intuito comercial futuro, da mesma forma que uma nação podia transportar escravos de um lado para outro com interesses comerciais imediatos e futuros, um peixe, um esquilo, um cavalo, uma semente, uma flor, podem ser introduzidos com intuitos diversos, desde o mais inocente até o mais bizarro.

Por este fato, e pela falta destas respostas e reflexões claras a este respeito é que me posiciono como opositor ao falso ato de amor pela natureza cometido por centenas de milhares de pessoas em todo o mundo.

Pessoas que amam tanto o caminho natural das coisas que não hesitam ao menor impulso de poder mudá-las, mesmo sabendo que poderão estar a ajudar a destruir o que já é perfeito.

É uma linha de raciocínio difícil de acompanhar. Eu mesmo me baralho com a miríade de pontos positivos e negativos que as espécimes alienígenas e exóticas podem trazer.

Mas a medida que formos evoluindo de forma numérica como espécimes dominantes, iremos fazer mais e mais introduções e iremos continuar a mudar o mundo para moldá-lo a nossa maneira.

Querem outro exemplo comum?

Observem quando terminam a construção de uma barragem em qual é a primeira coisa que fazem. Simplesmente introduzem desenfreadamente espécimes exóticas no curso d’água.

– Quem iria cometer tal crime? – perguntas-me.

Quem vai cometer o crime ninguém vai saber, mas eles serão cometidos.
Achigãs, carpas, lúcios, percas sol, trutas arco-íres, siluros, guppies, etc, aparecerão do nada, como que contrariando o Darwinismo e dando asas a Aristóteles e a Abiogênese, sem mencionar o batalhão de pescadores, vindos Deus sabe de onde, que se materializarão no local em busca da promessa de fisgar o troféu de sua vida com sua reluzente amostra "mágica".

E sabem quem é que vai lucrar diretamente com este crime?

1 – As lojas de pesca, e a industria da pesca.
2 – O construtor da barragem. – Este vai passar por benfeitor e sua barragem vai ser vista como algo que gera vida, quando este conceito é exatamente o oposto da realidade.
3 – hoteis, pensões, restaurantes. – Quanto mais peixes, mais pescadores fanáticos para atender.

Então! Ainda não é suspeito o suficiente para você?

Se estás pasmo com estas minhas colocações, prepare-se para o desfecho final, o golpe de misericórdia.

O último a lucrar algo com isso é o pescador local, que vai se transformar em um pescador de aquário. Certo que um aquário gigante, mas o conceito é o mesmo... Um lugar cheio de água com peixes escolhidos a dedo lá dentro.

A vítima direta será a natureza e nada menos do que as gerações vindouras.

domingo, 2 de maio de 2010

Ir à pesca é fácil, já pescar...


Ir à pesca é fácil, digo, levar o próprio corpo, sobre seus próprios meios até a margem de um rio qualquer é muito fácil, basta uma desculpa qualquer, até mesmo vale dizer que se vai pescar. Agora, olhar para o rio e saber o que se deve fazer para se capturar um peixe, uma truta por exemplo, sem ter de implorar que a mão divina guie sua mosca até a boca do peixe ou vice versa é que é o real desafio.

Faz uma década, decidi deixar a paz e harmonia da pesca convencional para adentrar no "místico" e por que não dizer "mítico" mundo da pesca com mosca. Ora bem, não quero dizer que estou arrependido por esta atitude, mas as vezes sou obrigado a pensar que quando eu sabia menos, quando eu tinha menos consciência sobre o que eu estava a fazer, eu era um pescador muito mais feliz e dinâmico. Confesso que não sou um pescador centrado, ou seja, não consigo ficar ali, de olhos fixos na mosca e na linha, com a atenção focada na água à 100%, a espreitar cada canto, cada remoinho, cada sombra, cada buraco e cada possível "morada" de um ictio, fazer deslocamentos "fantasmagoricamente" suaves e equilibrados como quem pisa em ovos de colibris. Não consigo me desligar do que existe a minha volta, dos insetos, dos sons da vida a correr hora delicadamente hora em turbilhão e por vezes a deliciosos quinze centímetros por segundo, em uma marcha continua e ininterrupta, como um relógio que nunca pára. Como é que podemos nos concentrar na pesca se a vida que nos invade a alma, quando estamos ao ar livre, liberta-nos dos pesados grilhões de nosso "urbanus quotidium"? Eu simplesmente não consigo abster-me da sensação de encantamento, do sabor da descoberta, da novidade, como um filhote que se esquece de comer para brincar com alguma coisa nova e embalado por este sentimento, sou invadido por um calor no peito que me sufoca impedindo-me de coexistir e me obrigando ao pacifico ato da contemplação. Admiro profundamente quem consegue, durante uma pescaria em locais selvagens, se esquecer que vive na ilusão de morar no próprio Éden, mas se esquece também que uma selva edificada em pedras, ferro e betão jamais será um paraíso e este pensamento intriga-me profundamente, pois quem tem este poder, este autocontrole, ou ignora completamente a existência do todo e é obcecado simplesmente por si mesmo e pelos segundos que antecedem e sucedem a captura, ou por um prisma completamente inverso, tem uma ligação tão poderosa com o todo que sente-se parte daquilo deixando de agir como homem racional e assumindo sua porção animal, deixando-se guiar unicamente por seus instintos.

O paraíso certamente tem aspectos diferentes para pessoas diferentes, e o paraíso para mim não é o ato de rasgar a fita no peito quando se chega na linha de meta e sim em todos os acontecimentos do percurso, até se conseguir chegar ao destino. Não quero chegar aos 70 anos e ver que fui apenas uma máquina de sacar peixes, quero olhar para trás neste dia e me lembrar dos insetos que me fizeram compania durante o percurso, dos milhares de metros cúbicos de água que lavaram minhas pernas, do suor a ensopar-me a alma nos vales no verão, atrás daquela truta que eu nunca pesquei e das valentes farios que vez ou outra aceitavam meu desafio e se apresentavam para dar o ar de sua graça e me mostrar o quão grandes e valorosas seriam cada vitória e como saberiam tão docemente cada derrota.

Sim, no rio as derrotas são sempre doces, pelo menos assim as vejo, penso que significa que seu oponente é astuto e deu o melhor de si, e cabe ao pescador entender unicamente onde deve evoluir para ser um pescador melhor e para isto, penso que baste apenas saber sentir o meio como sendo o seu paraíso, com a visão de um habitante local, nem que este habitante seja o menor dos dípteros.

- Mas afinal, perguntas-me, deveríamos nos concentrar mais no meio ou mais no peixe ?

Só respondo por mim.
Ontem eu ia ao rio para me encontrar com o peixe, hoje eu vou ao rio para me desligar de mim, para esquecer a selva ilusória onde eu vivo e amanhã, certamente irei ao rio apenas para me reencontrar com a vida que ali deixei, sob a forma das milhares de recordações que quero ter do caminho e vez por outra, quero lembrar-me de relance, do olhar frio de todas as trutas que eu feri cruelmente com meus aguçados anzóis, em nome da vaidade humana e então me arrependerei profundamente por ser possuidor de tamanha maldade e me alegrarei por meu tempo estar chegando ao fim.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Não. Basta!

Não basta nascer.
Há que amargar o pão,
Calejar as mãos
Se embrenhar nos nós.

Não basta crescer.
Há que querer não ter,
Que buscar prazer,
Se fartar dos prós.

Não basta temer
Há que se converter
Buscar entender
Antes de apagar.

Não basta sofrer.
Há de pagar pra ver,
Dor pra se entreter,
Risos pra chorar.

Não basta morrer.
Há que se orgulhar,
Dores para deixar,
Ver-se virar pó.

Não.
Basta!
Não. Basta! - Rubens Gorben
Pataias - Portugal - 2006